Patrão pode gritar com funcionário? Onde está o limite

Segunda-feira, reunião de equipe, e o chefe começa pelo seu nome. Levanta a voz, repete o erro da semana passada, pergunta na frente de todo mundo se você entende o que está fazendo ali. Você abaixa a cabeça, engole e volta para a mesa. No almoço alguém comenta que ele é assim mesmo, e você passa o resto do dia se perguntando se está sendo exagerado.

Essa dúvida tem resposta, e ela não é “depende do seu humor”.

Cobrar é legítimo, humilhar não é

O empregador dirige o trabalho. Ele pode definir metas, cobrar resultado, apontar erro, corrigir, exigir prazo e aplicar advertência quando a regra é descumprida. Isso se chama poder diretivo e é próprio do contrato de trabalho.

O que ele não pode é usar a cobrança como veículo para atingir a pessoa. A diferença não está no tom de voz isoladamente, está no alvo. Corrigir o trabalho é uma coisa; diminuir quem trabalha é outra.

Os sinais que marcam a passagem

Algumas situações aparecem com frequência quando a linha já foi cruzada.

A crítica deixa de tratar do serviço e passa a tratar da pessoa, com apelidos, comentários sobre aparência, origem, idade ou vida particular. A correção é feita de propósito na frente dos colegas, quando poderia ser reservada. A cobrança se dirige sempre ao mesmo funcionário, enquanto outros que erram igual passam despercebidos. A pessoa é isolada, deixa de ser chamada para reuniões, perde tarefas sem explicação, ou recebe tarefas impossíveis para depois ser cobrada por não cumpri-las. E, o marcador mais simples de todos, aquilo se repete: não foi um dia ruim do chefe, é um padrão que se prolonga no tempo.

Isso tem nome

Quando esse conjunto se instala, o direito do trabalho chama de assédio moral: a conduta repetida que expõe o trabalhador a situação humilhante e constrangedora, capaz de atingir a dignidade e a saúde dele.

Duas observações importam aqui. A primeira é que o assédio não exige grito. Existe o chefe que nunca levanta a voz e humilha por silêncio, por ironia, por exclusão. A segunda é que a origem da conduta não precisa ser a chefia: colega que persegue colega também produz assédio, e a empresa que sabe e nada faz responde pela omissão.

O que é normal no trabalho e o que não é

A frase “isso é normal” costuma ser o principal obstáculo, porque transforma um problema em traço de personalidade do chefe. Ambiente exigente é normal. Pressão por resultado é normal. Chefe difícil é normal. Ser humilhado não entra nessa lista, e o fato de acontecer com muita gente não muda isso.

Se você chegou até aqui reconhecendo a própria rotina, o passo seguinte é entender o que fazer com isso. O que caracteriza o assédio moral, como ele se comprova e o que se pode cobrar, está no texto anterior sobre o tema.

Se a situação que você vive se parece com a descrita acima e quer entender o que se aplica ao seu caso, é possível conversar sobre os fatos concretos antes de tomar qualquer decisão. Fale com o escritório pelo WhatsApp para uma conversa inicial.

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